quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O seu nome é Olivia Broadfield


A trilha sonora é um capítulo à parte em "Meu Nome Não é Johnny". Um dos melhores momentos (e são tantos) é a "trip" final de João Estrella após o teste de sobrevivência e liberdade pela orla do Rio.

Bom é ouvir Olivia Broadfield (foto) cantando "It's a Long Way", composta por Caetano Veloso para o álbum "Transa" e que se ajusta honestamente ao contexto da cena.

"Woke up this morning, singing an old, old Beatles song, we’re not that strong, my lord you know we ain’t that strong, I hear my voice among others, in the break of day, Hey, brothers, Say, brothers, i’s a long long long long way..."

"Acordei nessa manhã, cantando uma velha, velha canção dos Beatles, nós não temos aquela força, meu senhor não temos aquela força, eu ouço minha voz dentre outras, no intervalo do dia... ah, irmãos, diga irmãos, é um longo, longo caminho..."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

"Nada há de mais natural para a loucura que soprar
na trombeta da glória e entoar, em pessoa, os seus próprios louvores.
Quem me descreveria com mais verdade,
se ninguém me conhece melhor que eu própria (a loucura dizendo) me conheço?"
Erasmo de Rotterdã - "Elogio da Loucura"

A droga nas estrellas...

Selton no filme: "estrellas" estão em toda parte

"Meu Nome Não é Johnny" é um dos melhores filmes do momento e também de outros tempos.
Confesso que me surpreendi.
Filme simples, porém causticante.
Selton Mello abraçou a pecha de ator mais forte da nova geração. Com méritos.
Como João Estrella, caiu no alisamento perfeito da personagem. É uma história contemporânea e que revela o didatismo com que o mercado das drogas hoje é filho bastardo do que acontecia nos anos 80. Indivíduos como João Estrella existem em pencas. Isso é Brasil.
Faça-se disso um intenso caminho até chegar onde estamos.
Como o próprio Selton definiu o prazer de fazer o filme, "foi dedicação total à sétima arte".
Cheirar cocaína sem parar é o prazer de muitos por aí.
A razão de tudo? Indiscutivelmente, não sei.
Prazeres são prazeres. O sustentáculo das drogas nos anos 80 era o prazer, assim como vivenciou Estrella e admitiu diante da juíza Marilena Soares.
Hoje, virou produto de mercado porque adotou novos consumidores.
É outra via de mão. Pior. Mais ácida. Cruel.


Hoje, Estrella estaria morto, sem dúvida. Os anos 80 foram ingênuos, ao contrário de hoje.
"Meu Nome Não é Johnny" é fiel retrato do que nos cerca.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Família Dinossauros - Parte 1


Dinossauros não foram totalmente extintos.
Swarza e Stallone unidos até o final dos tempos...
Ou seja, Exterminador do Futuro e Rambo na parada.
O foda é a decadência inevitável. E a insistência em ainda serem o que são.
Stallone tá no pau da goiabeira.
Foda...

A descoberta

Sem mais nem menos, descobri que se você juntar polpa de goiaba, polpa de manga, duas bananas prata e água no liquidificador acaba virando um suco de cajá.
Ou seja:

GOIABA + MANGA + BANANA = CAJÁ

Faça a experiência.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Nos deram espelhos, vimos um mundo doente."
Legião Urbana, em "Índios".


Evidencio a volta da febre amarela ao cotidiano.
O mundo, o Brasil, as ruas, o lixo, eu e você, estamos vulneráveis ao doente destino.
Essa tal de febre, debelada por Oswaldo Cruz nos anos 20, vem que vem... sorrateira, mas vem.
Ironicamente, diga-se de passagem.
Como se não bastasse o Aedes proliferar a ácida dengue, agora traz essa porcaria.
Desfalecer picado por um mísero mosquito é uma ironia impressionante.
E o que fazer?

"Viver é escapar!"
(lembre-se disso)

A paz invadiu o meu coração...


Sempre (mesmo) é bom algo relacionado a Paz Vega.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Por que você precisa do PC?

"Quantas coisas perdemos por medo de perder?"
PC, no seu "Brida"
PC e o falcão: bica o nariz dele, bica!

Paulo Coelho não significa nada para mim.
Nada do que vem dele, aliás.
Já se falou muito do PC, bem ou mal.
É hoje o publicador de livros que mais vende no Brasil. Coisas de "oportunismo de mercado".
Se a Universal cresce e entope seus galpões de pessoas desesperadas, muita gente equivocada acaba consumindo PC sabe-se lá porque.
A verdade é que o mundo é muito midiático e pouco receptivo às filosofias, ao pensamento clássico e neo-clássico. PC pegou filosofia dos grandes e ensinamentos da Bíblia, colocou no liquidificador, bateu e fez o suco. Um pouco de magia e fantasia pra dar o tom cítrico.
PC, saiba que por onde você estiver vou estar do outro lado.
Leia Platão.

Raul Seixas é o cara.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A vida é irônica, a arte mais ainda

Sutherland ou Bauer?

Kiefer Sutherland mergulhou de cabeça na epopéia policial de "24 Horas" e muito bem. Descobriu-se um apaixonado pela aventura anti-terrorista. É um ator sinistro, claro. "24 Horas" é pesada, mas coerente com o americanismo. Mas é pesada.
Kiefer virou Jack Bauer e Jack Bauer virou Kiefer. No mesmo dia (e hora) em que a Globo reestreava o terceiro episódio da série, o ator deixava a prisão após ficar 48 dias preso, em decorrência de ser flagrado embriagado no trânsito.
A ironia disso tudo é fantástica. No primeiro capítulo da série, Bauer (ou Kiefer) era libertado do cárcere após dois anos confinado. Foi solto nas duas formas - vida real e em "24 Horas" - por bom comportamento.
O mais engraçado é que, no Brasil, o ator estrelou a campanha do Citroën, dizendo um rapidinho "It's fine...". Quem diria...
A sina de Jack (Kiefer) Bauer continua. Sinistra, como sempre... Como a vida.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Um trunfo para os catadores de lixo

Já ouviu falar em arquétipos de tortura terrorista? Então...

Acho perda de tempo hipervalorizar tanto as telenovelas brasileiras.
Mas também acho que passar batido diante do que provocam, é pior.
Para mim, não houve novela pior do que "Duas Caras" nos últimos 20 anos.
São vários ângulos dispersos, em um propósito "sem propósito". A Globo transporta sua ansiedade por audiência ao caldeirão do diabo. É uma emissora ao mesmo tempo audaz e ingênua, infeliz. Convive no contraste o tempo todo. Unir Aguinaldo Silva e Wolf Maya tornou-se um tiro no pé. Ou na própria cabeça.
"Duas Caras" começou, está no ar e vai terminar proporcionando uma exacerbação da ignorância social. Reúne medalhões, atores nível B e C e algumas descobertas em um emaranhado perdido. Aguentar Fagundes no mesmo estereótipo de sempre, rechaçar o racismo, preconizar a favela amadoristicamente, ilibar o samba carioca e implementar o excesso de informações descabidas, é um genocídio inevitável.
Não gosto da condução (e nem da pessoa) de Wolf Maya. Sua energia é ruim, nociva, pesada. Sua figura é mais ainda. De A a Z, a novela agoniza. Inicia com a abertura tosca de uma favela-maquete sem sentido. O samba-protesto de Gonzaguinha é superlativo como trilha sonora desse projeto. É bem maior, muito maior.
Mara Manzan está no limite da arrogância insuportável. Lázaro Ramos ergue a bandeira do "negro inteligente" como produto a ser reverenciado. Dalton Vigh é sempre o mesmo. Suzana Vieira virou uma assombração, um filme de terror. Betty Faria, José Wilker, Stênio Garcia, Marilia Pêra, Renata Sorrah, Marilia Gabriela e Nuno Leal Maya estão putrefando seus históricos talentos, em decorrência das germinais afetações de Aguinaldo Silva. Este, como se não bastasse, clicheriza a "ávida necessidade" de expor a questão gay na teledramaturgia. No contrapé, também em posicionamentos sofríveis, Alyne Moraes e Flávia Alessandra dão a volta por cima no futuro porque são jovens ainda. Idem à Débora Falabella.
A Globo, porém, usa e abusa disso tudo para desafogar novas caras. A morena Débora Nascimento é a única coisa louvável surgida, mas que cai no idealizado estereótipo da "morena gostosa". Mas ainda vai voar...
"Duas Caras" disputa com "Big Brother Brasil" o título de lixo de 2008.
Prato cheio para os nossos irmãos catadores.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Love is blindness : ensaio sobre a cegueira

O amor é cegueira // Eu não quero ver // Você não vai me envolver com a noite? // Pegue meu coração // O amor é cegueira // Num carro estacionado // Numa rua lotada // Você vê seu amor ser completado // O fio está rasgando // O nó está soltando // O amor é cegueira // O amor é mecanismo // E aço frio // Dedos amortecidos demais para sentir // Aperte a manivela, apague a vela // O amor é cegueira // O amor é cegueira // Eu não quero ver // Você não vai me envolver com a noite? // Oh, meu amor // Cegueira // Uma pequena morte sem lamentação // Sem chamada // E sem aviso, baby... uma idéia perigosa // Que quase faz sentido // Amor é afogar // Num poço fundo // Todos os segredos // E ninguém para contar // Leve o dinheiro, querida // Cegueira // O amor é cegueira // Eu não quero ver // Você não vai me envolver com a noite? // Oh, meu amor // Cegueira...

Uma das melhores canções já criadas por quem tem decência espiritual: U2.

Incômodo subjetivo

"Hoje, São Paulo me pareceu mais densa e pesada do que o normal. A cidade se comportou de forma inexplicável nos últimos meses. Não faz frio, nem calor. Parece que ultrapassamos os limites conceituais das qualidades que definem a meteorologia. Meu corpo responde aos estímulos enigmáticos do espaço e do tempo de forma bruta. Não poderia ser diferente. As unhas, comi todas. Chegaram na carne e só parei quando doeram à beça. Tenho a impressão de que a minha casa diminui na mesma proporção em que a cidade aumenta. A solidão já virou um adjetivo qualitativo e, como se não bastassem as minhas inúmeras manias, me apeguei às coisas que não existem. Inventei montes de grilos, troquei noite e dia, esperei sentada, deitada, acordada e adormeci quando não quis mais esperar por nada. Quando sento para escrever, tenho uma sensação boa de solidão. É como eternizar um momento que poderia ser como outro qualquer, mas traduzido em caracteres especialmente articulados. Decidi que, a partir de agora, minhas unhas irão crescer. E nada mais impedirá."
..
::::: Desabafo de minha amiga Carol Thomé, sobre unhas e carnes.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Todas as paixões dependem da loucura. Os homens mais felizes são os que conseguem escapar à ciência e têm na natureza o seu guia mais simples. A verdade é que os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da estupidez e idiotice.
E deixai-os gozar a felicidade.
Não desejaríamos nós viver em semelhante despreocupação?
>>>>
Mesmo eu, que não suplemento a felicidade, endosso tal consideração.
A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos.

Erasmo de Rotterdam.
Um mal não é um mal para quem não o sente.
Que te importa se todos te vaiam, se tu mesmo te aplaudes?

Erasmo de Rotterdam, em "Elogio da Loucura".

Viver é escapar

Dia 4 de fevereiro entro na casa dos 38.
Sei que aniversário se tornou um jargão corriqueiro na vida, mas não deixa de ser uma conquista pessoal para quem passa por diversas situações e chega bem até lá.
Na verdade, os parabéns vão de mim para mim mesmo.
Acompanhei muitas pessoas que não sobreviveram no ano passado, não estão mais entre nós, não conseguiram viver muito, mesmo o tempo sendo algo relativo.
Portanto, ir pra lá e pra cá, fazer isso e aquilo e continuar "escapando", hoje é uma conquista e tanto.
Sempre digo e vou dizer, fomentando minha própria tese, de que "viver é escapar", o tempo todo. Se você não conseguir, naquele momento, escapar do transe, um abraço.
Eis a explicação para algumas mortes consideradas estúpidas, incoerentes...
Somos seres amplamente vulneráveis ao improvável.
Eu, você, eles sabem disso.
No entanto, é o que sempre vou acreditar: chegar aqui é escapar honrosamente.

Valeu, Marcão.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Janeiro precisa acabar logo

Em janeiro só se ouve falar de:
Clara Rojas, as Farc, Hugo Chávez, contratações no futebol (Adriano e Diego Souza), movimento nas praias, febre amarela, águas-vivas queimando, IPVA, "lá vou eu, lá-vou-eu", Juvenal Antena, CPMF, chuvas e inundações, Big Brother Brasil, Britney Spears, mais um filme do Selton Mello, Luiza Brunet, escolas de samba, quem engravidou e quem não engravidou...
Quer mais o que?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Animais que se "acham" são o cúmulo da idiotice




Algumas coisas me enchem muito o saco.
Quando alguns animais resolvem fazer coisas que humanos fazem, por exemplo.
Cada macaco no seu galho, pô.
Esse sapo me enche o saco. Ficar fazendo pose para fotinhas "fofinhas"... ah, vá caçar tatu!
Por que ninguém faz uma formiga cantar, por exemplo?

Dá um tempo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Menos é mais




É isso que vai imperar daqui pela frente.
Ou é, ou não é. Não tem meio-termo.
Abrace essa campanha, ou vá para outro mundo.
Literalmente.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Sem título




2008, special mix.


Breve, em CD.

Voluptuosidade branca

Yan McLine // photo

É necessário saber dissimular com as pessoas que têm vergonha de seus sentimentos; concebem um ódio repentino pela pessoa que as apanha em flagrante delito de ternura, de entusiasmo ou de nobreza como se seu santuário secreto tivesse sido violado.
Se quereis ser-lhes benéficos nesse momento, fazei-as rir ou tratai de lhes sugerir, brincando, alguma fria maldade: seu humor gela e dominam-se.
Deleitava-se, tal qual, Friedrich Nietzsche.

A verdade começa a dois

Ane Vitale // photo

"Eu faço minhas coisas e você faz as suas coisas. Não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas e você não está neste mundo para satisfazer as minhas. Você é você, e eu sou eu. E se por acaso nos encontrarmos será maravilhoso. E se não, não há nada para fazer. Se eu faço unicamente o meu, e você o teu, corremos o risco de perder um ao outro e a nós mesmos. Não estou neste mundo para preencher tuas expectativas... Mas estou neste mundo para me confirmar em ti. Como ser humano único para ser confirmado por ti. Somos plenamente nós mesmos, somente em relação um ao outro. Eu não te encontro por acaso, te encontro mediante uma vida, atenta, um lugar onde as coisas acontecem passivamente. Posso e devo agir, intencionalmente, para que aconteçam. Devo começar comigo mesma a verdade... Mas não devo terminar aí. A verdade começa a dois!"

Fritz Perls, elucidando a Gestalt-terapia.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A angústia (entenda-a):
Freud afirmou que vivemos um profundo mal-estar provocado pelo avanço do capitalismo. Vivemos um conflito interno entre três instâncias psíquicas fundamentais ao equilíbrio do ser: nossas vontades (id) vivem em constante atrito com nosso instinto repressor (superego). Podemos tudo aquilo que queremos? Infelizmente não. O balanço entre as vontades e as repressões tem que ser buscado pelo ego, a nossa consciência. É o ego que analisa a possibilidade real de por em prática uma ação desejada pelo nosso id. Não obstante, controla o excessivo rigor imposto pelo superego. A esse conflito entre o id e o superego, Freud denominou angústia.
Para a psicanálise, o caminho é:
Frustrações, angústias -> ansiedade múltipla -> depressão
Cuide-se.

Faça algo diferente, antes que seja tarde

Freeman e Vega confabulando, confabulando e confabulando...

Paz Vega já é uma realidade incomum de se ver. E isso certamente vai perdurar.
Além de bela atriz (redundância), está leve e solta, mais até que em "Lucía e o Sexo".
A espanhola reluz a tela na companhia do versátil ator Morgan Freeman em uma película que faz a simplicidade fervilhar qualquer palidez cotidiana. Em "10 Itens or Less" (traduzido - não sei porque - para "Um Astro Em Minha Vida"), 82 minutos (apenas) que te posicionam diante da encruzilhada do "faça algo diferente, antes que seja tarde", compêndio fatal, bem fatal para quem tem imaginação de sobra para sair do óbvio ululante.
Recomendo assistir.
Depois de vê-lo algo novo vai acontecer com você. Pode acreditar. Comigo foi assim.