Eu afirmo e continuarei afirmando que o segredo de "Lost" é unir o inútil ao desagradável.
É uma parábola cosmopolita sobre o inferno. Indireta, implícita, mas... fatal.
Continuo minha tese:
O destino do mal é o mal. Os "pseudo-sobreviventes" apenas vivenciam o nada, em decorrência do que vivenciaram quando vivos.
Não houve sobreviventes no avião. Claro que não.
Mas o melhor de tudo é que a série reflete sem clichês ou visões já desgastadas do inferno.
É espiritualista, realista, existencialista e perturbadora.
E por isso é bom.
É uma visão filosófica do mal que soberba a vida humana, desde sempre.
Na ilha de "Lost" não se fala em Deus. E Deus não parece estar lá.
"Lost" é uma espécie renovada de "Matrix". Encontre a sua.
# Porém, veja essa versão da revista Superinteressante:
Os nomes de Lost não existem em vão - John Locke e Danielle Rousseau, batizados em homenagem a filósofos, estão aí para provar. No caso dos Outros, a inspiração parece ter vindo da Bíblia. E isso pode revelar algumas coisas. Tipo: o líder Benjamin Linus teria um superior vivendo na ilha, Jacob. Ele só foi mencionado uma vez na série, e pode ser o ainda misterioso homem de tapa-olho (1). O fato é que, na Bíblia, Benjamin é o nome do filho preferido de... Jacob (Jacó, em português). O livro sagrado também diz que Jacó é filho de Isaac. E, sim, tem um Isaac em Lost. Ele é um curandeiro que vive na Austrália (2). Foi à clínica dele que Bernard levou Rose para tentar livrá-la de um câncer. É que Isaac usa o que ele chama de "força da Terra" para extirpar tumores e fazer com que paralíticos voltem a andar. A Dharma pesquisa a força magnética toda especial da ilha. Tão especial que destrói cânceres e cura paralíticos. Isaac, então, pode ter conexões com a Dharma. E até ser o chefão dos Outros. Pelo menos é o que está na Bíblia.

