quinta-feira, 27 de março de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Francine, a modelo do hoje e do amanhã
A estudante rio-pretense Francine dos Santos Gomes está se tornando, passo a passo, a modelo do futuro. Mais que uma aposta, Francine já é uma realidade. Aos quase 17 anos, vai construindo uma carreira sólida e talhada com a supervisão da mãe, seu braço-direito. Com seu jeito tímido (característico da idade), Francine cativa por ter talento natural, estilo, graça, elegância e, principalmente, disciplina. E ressaltar sua beleza especial é redundância. Graças a ela, é hoje uma das modelos mais requisitadas para trabalhos fotográficos nos principais editoriais de moda e desfiles em passarela. Tem um mundo todo pela frente. Vai brilhar. E muito. E ela quer. E, por isso, seu caminho profissional é muito, muito próspero. Veja a entrevista que fiz com ela:
Eu considero você a modelo do "presente-futuro", de Rio Preto para o mundo. Você também acredita nisso?
Acredito também. Penso em seguir firme, mas sou bem realista, sou bem pé-no-chão. Eu aprendi que não podemos fazer alguns planos porque muitos não saem como você quis. Sou um pouco contraditória, um pouco confusa, mas me vejo em um grande futuro pela frente. Minha mãe sempre me ajuda, investe em mim. Mais ela do que eu. Mas eu prefiro deixar tudo acontecer por si próprio, dando o meu melhor.
Acredito também. Penso em seguir firme, mas sou bem realista, sou bem pé-no-chão. Eu aprendi que não podemos fazer alguns planos porque muitos não saem como você quis. Sou um pouco contraditória, um pouco confusa, mas me vejo em um grande futuro pela frente. Minha mãe sempre me ajuda, investe em mim. Mais ela do que eu. Mas eu prefiro deixar tudo acontecer por si próprio, dando o meu melhor.
O que te faz feliz no trabalho como modelo?
Quando as pessoas gostam, quando vi que consegui aquilo que me propus a fazer. Quando traz o resultado esperado. Quando não sai como eu quero, fico triste por isso. Tudo vejo defeito, sempre acho que tenho que melhorar. Fico sem graça, muito sem graça quando alguém faz um elogio. Mas por timidez.
Quais são suas principais qualidades como pessoa e como modelo?
Aí você me pegou! Não sou muito boa para falar de mim. Acho que minha qualidade maior como modelo é fazer bem tanto passarela quanto produção fotográfica. Como pessoa e como modelo me acho bem disciplinada.
Gostaria de fazer algum trabalho em especial?
Tenho vontade de fazer um trabalho em outdoor. Sempre quis. Também gostaria de desfilar na São Paulo Fashion Week, no Rio de Janeiro também. E, claro, no exterior, em Milão. Preciso perder uns quilinhos (risos), uns três quilos. Isso, eu acho. Foi marcante fazer meu primeiro editorial de moda, em 2006, para uma revista. A sensação, foi inexplicável, achei maravilhoso. E espero que sempre gostem desse tipo de trabalho meu.
Prefere foto ou passarela?
Gosto dos dois. Antes eu preferia passarela, pois fazia mais. Mas agora estou trabalhando mais em material fotográfico. Eu posso ver o resultado, os meus defeitos. Em passarela não tenho como analisar tanto. Mas só por isso.
Como você se prepara, se cuida, ou investe em sua carreira?
Tento sempre cuidar do meu corpo, para não ter problemas de pele, já cheguei a fazer drenagem linfática, malhar o corpo na academia, caminhadas. Alimentação não posso falar muito, porque é péssima (risos). Como muito doces, chocolates. Não gosto muito de saladas, verduras. Minha mãe é minha grande incentivadora, para tudo. Se não fosse por ela, eu não seria nada. No início ela quis que eu melhorasse a postura. Depois comecei gostar; hoje amo. Em Rio Preto o mercado está crescendo cada vez mais. Já viram muitos trabalhos que levei para São Paulo e acharam muito bons. Acho que trabalhar em São Paulo seria um objetivo do meu plano atual. E sei que isso virá.
..........
Boa sorte, Fran! Acredite em você!
terça-feira, 25 de março de 2008
sexta-feira, 21 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
"São as pessoas que habitualmente me cercam, são as almas que, desconhecendo-me, todos os dias me conhecem com o convívio e a fala, que me põem na garganta do espírito o nó salivar do desgosto físico. É a sordidez monótona da sua vida, paralela à exterioridade da minha, é a sua consciência íntima de serem meus semelhantes, que me veste o traje de forçado, me dá a cela de penitenciário, me faz apócrifo e mendigo"
Fernando Pessoa, in memorian.
Não é falta de segurança; é excesso de problemas psicológicos
Essa semana foi marcada pela denúncia de maus-tratos, violência e tortura praticadas por mulheres (inclusive uma mãe) a crianças e adolescentes.
Em cada semana algo bizarro e aberrador toma conta dos noticiários. Seja pedofilia, sejam estupros, seja violência contra o menor, ou algum caminho fétido alastrado na sociedade.
Enquanto muitos questionam o problema da segurança (e da ausência dela, em muitos sentidos), eu questiono outra coisa. É certo que o policial (responsável direto pela nossa segurança pública e civil) é o epicentro das discussões. Ganha mal, é pouco reconhecido, tem uma imagem de corrupção cada vez mais acentuada, é mal-instruido e não é separado no sistema "joio do trigo", ou seja, policiais com sérios problemas psicológicos e despreparados efetivamente para exercerem a profissão, estão no comando.
Mas atribuo a tudo isso uma séria e ácida inversão de valores. A sociedade inverte o olho sobre isso. Coloca a segurança pública somente como o "xis da questão". Mas, ao meu ver, não é.
O "xis da questão" ultrapassa isso. Estamos reféns do que o próprio mundo vem causando a muitas pessoas. Estamos produzindo seres com total distanciamento do que consideramos ser a normalidade pensante, da inteligência e do bom senso.
Problemas psicológicos crônicos, graves e generalizados estão conduzindo este ser humano aos atos praticados e qualificados como crimes. Se não houver um "olho" direcionado a esse detalhe, cada vez mais perderemos o senso de civilidade. As pessoas estão estressadas, complexadas, entregues ao consumismo (veja a explosão do consumo de veículos, entupindo as ruas), lidando erradamente com a baixa-estima, ansiosas e, claro, emburrecendo letalmente.
Digo e sempre vou afirmar que a psicologia é a maior esperança da sociedade, em seu papel eminentemente humano. Não há outra saída, a não ser lutar pelo equilíbrio do ser no mundo.
Estamos implodindo o Planeta Terra, que está vingando-se contra nós na questão do preparo humano em viver a vida.
O descontrole é fato. Muita gente. Excesso de ignorância. Consumismo, idem. Desvalorização humana e condensação do extremado valor material. Desigualdade social abrupta. O Brasil é uma terra do "tudo pode". Sem leis duras. Fala-se sobre tudo, mas age-se quase nada.
Pense nisso. O compromisso do equilíbrio psicológico é o futuro disso tudo. Caso contrário, estaremos reféns de nossa própria falta de sensatez.
A pessoa (deu certo?)
Mas no dicionário... do Lat. persona
s. f., ser ou criatura da espécie humana; ser moral ou jurídico; personagem; individualidade;
Gram., relação que o sujeito da oração pode ter com as diversas formas pelas quais essas relações são expressas na conjugação do verbo.
pessoalmente; colectiva: associação ou instituição formada para a realização de um interesse ou fim colectivo, e reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e obrigações.
de bem: indivíduo honesto.
física: ser humano considerado singularmente como sujeito de direitos e obrigações.
física: ser humano considerado singularmente como sujeito de direitos e obrigações.
jurídica: entidade jurídica resultante de um agrupamento humano, organizado e estável com fins de utilidade pública ou privada (distinta dos indivíduos que a compõem), podendo exercer direitos e contrair obrigações.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Tédio
domingo, 16 de março de 2008
A teoria das "mulheres magras"
Teoria formulada por minha grande amiga (do coração) Alessandra CN:
"Mulheres magras são amargas, a própria grafia se assemelha. São frias, porque os hormônios lhe faltam, assim não têm cheiro, perfume, odor, olor. Quem cuida muito do corpo e da aparência não tem muito tempo para cuidar do cerébro. Como o ser humano vive o sexo e para o sexo, o homem que busca uma mulher escultural, raramente encontrará um ser pensante; para ser escultural tem que ser magra, assim lhe faltam os hormônios para ser gostosa... Isso vai ser entediante ao longo do tempo. É uma questão de natureza."
______________________
Eu assino embaixo...
sexta-feira, 14 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Wanderlust
Um dia você sorri; noutro, não. Um dia você pensa; noutro, só faz.
Um dia você quer; noutro, deixa de lado.
Um dia você corre; noutro, instala-se na cadeira.
Um dia você é você; noutro, recorre a terceiros.
Um dia você explode; noutro, coloca a bomba.
Um dia você entende; noutro, questiona.
Um dia você enxerga; noutro, é inválido.
segunda-feira, 10 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
Como dizia Albert Einstein:
“(...) Eu penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho em um grande silêncio e a verdade me é revelada. A mente avança até o ponto onde pode analisar, mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes revelações realizaram este salto”.
“(...) Eu penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho em um grande silêncio e a verdade me é revelada. A mente avança até o ponto onde pode analisar, mas depois passa para uma dimensão superior, sem saber como lá chegou. Todas as grandes revelações realizaram este salto”.
Cheguei à conclusão de que...
...estou vivo porque sei que estou respirando.
Mas também sei que, por estar sentindo alguns cheiros estou vivo.
Enxergo, acordo, durmo, penso, ando, converso.
Minha memória ainda se lembra.
Estar vivo é uma questão de posicionamento.
E estou aqui. Vivo.
[alguém contestaria isso?]
Mas também sei que, por estar sentindo alguns cheiros estou vivo.
Enxergo, acordo, durmo, penso, ando, converso.
Minha memória ainda se lembra.
Estar vivo é uma questão de posicionamento.
E estou aqui. Vivo.
[alguém contestaria isso?]
domingo, 2 de março de 2008
Todo mundo quer trepar! (texto verídico e real)
Enfim: o sexo move o mundo.
Sim, as pessoas vivem para e pelo sexo. Não é coisa de ninfomaníaco, é constatável. Veja você, por exemplo.
Você acorda pela manhã, e muito provavelmente segue o ritual: toma banho, põe desodorante, escova os dentes, veste uma roupa que lhe deixa apresentável, toma café e sai. Pega um ônibus, ou um táxi ou o carro, não importa. Pelo menos por enquanto.
Analisemos as ações acima: você toma banho para não cheirar mal. Ou melhor, para cheirar bem. Poderia muito bem cabular o banho em dias de frio, mas pensa melhor e enfrenta a água. Depois, escova os dentes: poderia tomar o café sem essa parte, mas não, vai lá, enche a escova de creme e mete na boca, pensando sabe-se lá em que. Pensa em sexo, isso sim.
Prossigamos a análise de seu ritual: depois de seco e cheiroso, põe a roupa: eis uma parte importante de seu dia. A roupa é sua identidade, é parte de seu corpo. Ir com uma roupa simplesmente roupa seria como ter um braço meio desconjuntado. Você sabe que não é apenas pôr uma roupa qualquer, tem que escolher, como se escolhe um tomate: vistoso, brilhante, bonito enfim. Bons tomates rendem bons pratos. Então, vestida a roupa, você se sente preparado para enfrentar a rua. Mas daí tem a alimentação. Você sabe que não pode engordar, deve cuidar o colesterol e também ingerir o que trará vigor e saúde, pelo menos até a hora do almoço. Come pouco, uma fruta, um pãozinho com singela pitada de manteiga light, um copo de leite desnatado com cereal. E, se você for cuidadoso mesmo, depois da refeição escovará os dentes de novo: sabe que esses pequenos ossos expostos a toda hora são importantes para que seu sorriso seja bem-quisto, para que seu hálito não cause dúvidas. Ora, veja! está pronto!
Não é preciso que a análise chegue à hora do almoço. Para que esse cuidado todo? para viver bem, para ter saúde, você diz. Mentira! A revista recomenda, a lei obriga, o governo quer, você diz. O médico, você ainda insiste. Digo que é mentira, e deslavada, que cara-de-pau você é! Você se submete a toda essa meticulosa preparação porque é importante que sua imagem esteja conforme. Para ser atraente, ou, se a natureza se esqueceu de dotar-lhe de traços formosos, ao menos ser uma pessoa apresentável, limpa, honesta nem que seja apenas na aparência. É assim que se ganha confiança, é assim que se galga o sucesso, é assim que você vê na novela, é assim que as mulheres gostam, ou outro sexo de sua preferência.
Mesmo que você more com a sua mãe e não saia de casa pra nada, mesmo que você seja paraplégico, ainda digo que é mentira. No fundo, você quer trepar. O sexo tem o peso da existência. Eu não disse que trepar é bom, mau, nada. Apenas o acuso de disfarçar, de se fazer de tonto, de assobiar, por achar que ninguém nota qual é a sua. Não quero discutir agora, me deixe terminar minha análise, por favor.
Não importa onde você esteja, mesmo em sua casa, no seu quarto ou no seu banheiro, em qualquer lugar, você está sob avaliação constante. No banheiro, não há ninguém olhando, a não ser você. Veja: seu pênis é pequeno. É roxo. É gordo. Parece uma azeitona; banana; cabo de guarda-chuva; sumiu. Você tem hemorróidas; você tem orgulho de sua bunda; é bom começar a fazer uns abdominais; essa não: está com alergia; espinhas; sinais cancerosos; varizes. O ritual é importante. Mas o ritual não é o mais importante.
É para isso que você também trabalha: ser melhor que seus iguais e ter tudo mais que eles. Para isso faz horas extras. Para isso quer ganhar mais, quer um carro, e um carro bom. Quer ter o melhor que puder, para impressionar, que seja discretamente, sim, você é um tímido, é um modesto, mas é bom ter certeza de que não há nada a temer. Vive aventuras perigosas para poder contar aos amigos. Não? então lê as aventuras em livros, ou as vê no cinema, no teatro, para poder contar, fazer sorrir. É importante ser divertido, bem-humorado. As pessoas não gostam de gente esquisita, de humores duvidosos, gente bisonha afasta as pessoas, são chatos. Tudo, menos um ser um chato. E você aprende a beber, não em demasia, pois bêbados correm com amizades e mulheres. Este é o curriculum vitae que você deve apresentar na vida se quiser ser alguém; não se iluda, é isso para muito mais.
Porém, nem todos se encaixam. Há pessoas com próteses dentárias ou banguelas, pessoas pobres, pessoas cegas, surdas, loucas, viciadas, tristonhas, esquizofrênicos, fracassados, famintos, mal-educados, com mau-hálito, pernetas, atrofiadas, corcundas; gente difamada, com pigarro, putas, hemofílicos, asmáticos, pederastas, peidorreiros, aidéticas, chatos de toda ordem; gente que fala fala fala fala sem se dar conta que fala tanto, megalômanos, gordos, imbecis, bêbados, anoréxicos, psicóticos, gente com o cu em flor. E que estão aí, também, ó: a fim de trepar.
A vida não é para todos. As mulheres estonteantes e a pomada Bem-Te-Vi também não. Mas há outras mulheres. E também outros carros, é verdade. O ritual só diminui ou muda um pouco.
Você pode não tomar banho, comer um porco pela perna de manhã e outros dois no almoço e no jantar, beber mais que Judas antes, durante e depois da traição, trabalhar e malhar somente enquanto sonha, saber nada de carros, cavalos, esportes, e essas coisas todas que já está cansado de saber e não quer nem saber. Ainda assim, estará querendo agradar. E está querendo agradar para trepar. Não? Tá, então é paranóia minha.
Sim, as pessoas vivem para e pelo sexo. Não é coisa de ninfomaníaco, é constatável. Veja você, por exemplo.
Você acorda pela manhã, e muito provavelmente segue o ritual: toma banho, põe desodorante, escova os dentes, veste uma roupa que lhe deixa apresentável, toma café e sai. Pega um ônibus, ou um táxi ou o carro, não importa. Pelo menos por enquanto.
Analisemos as ações acima: você toma banho para não cheirar mal. Ou melhor, para cheirar bem. Poderia muito bem cabular o banho em dias de frio, mas pensa melhor e enfrenta a água. Depois, escova os dentes: poderia tomar o café sem essa parte, mas não, vai lá, enche a escova de creme e mete na boca, pensando sabe-se lá em que. Pensa em sexo, isso sim.
Prossigamos a análise de seu ritual: depois de seco e cheiroso, põe a roupa: eis uma parte importante de seu dia. A roupa é sua identidade, é parte de seu corpo. Ir com uma roupa simplesmente roupa seria como ter um braço meio desconjuntado. Você sabe que não é apenas pôr uma roupa qualquer, tem que escolher, como se escolhe um tomate: vistoso, brilhante, bonito enfim. Bons tomates rendem bons pratos. Então, vestida a roupa, você se sente preparado para enfrentar a rua. Mas daí tem a alimentação. Você sabe que não pode engordar, deve cuidar o colesterol e também ingerir o que trará vigor e saúde, pelo menos até a hora do almoço. Come pouco, uma fruta, um pãozinho com singela pitada de manteiga light, um copo de leite desnatado com cereal. E, se você for cuidadoso mesmo, depois da refeição escovará os dentes de novo: sabe que esses pequenos ossos expostos a toda hora são importantes para que seu sorriso seja bem-quisto, para que seu hálito não cause dúvidas. Ora, veja! está pronto!
Não é preciso que a análise chegue à hora do almoço. Para que esse cuidado todo? para viver bem, para ter saúde, você diz. Mentira! A revista recomenda, a lei obriga, o governo quer, você diz. O médico, você ainda insiste. Digo que é mentira, e deslavada, que cara-de-pau você é! Você se submete a toda essa meticulosa preparação porque é importante que sua imagem esteja conforme. Para ser atraente, ou, se a natureza se esqueceu de dotar-lhe de traços formosos, ao menos ser uma pessoa apresentável, limpa, honesta nem que seja apenas na aparência. É assim que se ganha confiança, é assim que se galga o sucesso, é assim que você vê na novela, é assim que as mulheres gostam, ou outro sexo de sua preferência.
Mesmo que você more com a sua mãe e não saia de casa pra nada, mesmo que você seja paraplégico, ainda digo que é mentira. No fundo, você quer trepar. O sexo tem o peso da existência. Eu não disse que trepar é bom, mau, nada. Apenas o acuso de disfarçar, de se fazer de tonto, de assobiar, por achar que ninguém nota qual é a sua. Não quero discutir agora, me deixe terminar minha análise, por favor.
Não importa onde você esteja, mesmo em sua casa, no seu quarto ou no seu banheiro, em qualquer lugar, você está sob avaliação constante. No banheiro, não há ninguém olhando, a não ser você. Veja: seu pênis é pequeno. É roxo. É gordo. Parece uma azeitona; banana; cabo de guarda-chuva; sumiu. Você tem hemorróidas; você tem orgulho de sua bunda; é bom começar a fazer uns abdominais; essa não: está com alergia; espinhas; sinais cancerosos; varizes. O ritual é importante. Mas o ritual não é o mais importante.
É para isso que você também trabalha: ser melhor que seus iguais e ter tudo mais que eles. Para isso faz horas extras. Para isso quer ganhar mais, quer um carro, e um carro bom. Quer ter o melhor que puder, para impressionar, que seja discretamente, sim, você é um tímido, é um modesto, mas é bom ter certeza de que não há nada a temer. Vive aventuras perigosas para poder contar aos amigos. Não? então lê as aventuras em livros, ou as vê no cinema, no teatro, para poder contar, fazer sorrir. É importante ser divertido, bem-humorado. As pessoas não gostam de gente esquisita, de humores duvidosos, gente bisonha afasta as pessoas, são chatos. Tudo, menos um ser um chato. E você aprende a beber, não em demasia, pois bêbados correm com amizades e mulheres. Este é o curriculum vitae que você deve apresentar na vida se quiser ser alguém; não se iluda, é isso para muito mais.
Porém, nem todos se encaixam. Há pessoas com próteses dentárias ou banguelas, pessoas pobres, pessoas cegas, surdas, loucas, viciadas, tristonhas, esquizofrênicos, fracassados, famintos, mal-educados, com mau-hálito, pernetas, atrofiadas, corcundas; gente difamada, com pigarro, putas, hemofílicos, asmáticos, pederastas, peidorreiros, aidéticas, chatos de toda ordem; gente que fala fala fala fala sem se dar conta que fala tanto, megalômanos, gordos, imbecis, bêbados, anoréxicos, psicóticos, gente com o cu em flor. E que estão aí, também, ó: a fim de trepar.
A vida não é para todos. As mulheres estonteantes e a pomada Bem-Te-Vi também não. Mas há outras mulheres. E também outros carros, é verdade. O ritual só diminui ou muda um pouco.
Você pode não tomar banho, comer um porco pela perna de manhã e outros dois no almoço e no jantar, beber mais que Judas antes, durante e depois da traição, trabalhar e malhar somente enquanto sonha, saber nada de carros, cavalos, esportes, e essas coisas todas que já está cansado de saber e não quer nem saber. Ainda assim, estará querendo agradar. E está querendo agradar para trepar. Não? Tá, então é paranóia minha.
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Texto verídico de Ariela Boaventura (eu não sei quem ela é).
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