sábado, 19 de janeiro de 2008

Incômodo subjetivo

"Hoje, São Paulo me pareceu mais densa e pesada do que o normal. A cidade se comportou de forma inexplicável nos últimos meses. Não faz frio, nem calor. Parece que ultrapassamos os limites conceituais das qualidades que definem a meteorologia. Meu corpo responde aos estímulos enigmáticos do espaço e do tempo de forma bruta. Não poderia ser diferente. As unhas, comi todas. Chegaram na carne e só parei quando doeram à beça. Tenho a impressão de que a minha casa diminui na mesma proporção em que a cidade aumenta. A solidão já virou um adjetivo qualitativo e, como se não bastassem as minhas inúmeras manias, me apeguei às coisas que não existem. Inventei montes de grilos, troquei noite e dia, esperei sentada, deitada, acordada e adormeci quando não quis mais esperar por nada. Quando sento para escrever, tenho uma sensação boa de solidão. É como eternizar um momento que poderia ser como outro qualquer, mas traduzido em caracteres especialmente articulados. Decidi que, a partir de agora, minhas unhas irão crescer. E nada mais impedirá."
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::::: Desabafo de minha amiga Carol Thomé, sobre unhas e carnes.

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