Acho perda de tempo hipervalorizar tanto as telenovelas brasileiras.
Mas também acho que passar batido diante do que provocam, é pior.
Para mim, não houve novela pior do que "Duas Caras" nos últimos 20 anos.
São vários ângulos dispersos, em um propósito "sem propósito". A Globo transporta sua ansiedade por audiência ao caldeirão do diabo. É uma emissora ao mesmo tempo audaz e ingênua, infeliz. Convive no contraste o tempo todo. Unir Aguinaldo Silva e Wolf Maya tornou-se um tiro no pé. Ou na própria cabeça.
"Duas Caras" começou, está no ar e vai terminar proporcionando uma exacerbação da ignorância social. Reúne medalhões, atores nível B e C e algumas descobertas em um emaranhado perdido. Aguentar Fagundes no mesmo estereótipo de sempre, rechaçar o racismo, preconizar a favela amadoristicamente, ilibar o samba carioca e implementar o excesso de informações descabidas, é um genocídio inevitável.
Não gosto da condução (e nem da pessoa) de Wolf Maya. Sua energia é ruim, nociva, pesada. Sua figura é mais ainda. De A a Z, a novela agoniza. Inicia com a abertura tosca de uma favela-maquete sem sentido. O samba-protesto de Gonzaguinha é superlativo como trilha sonora desse projeto. É bem maior, muito maior.
Mara Manzan está no limite da arrogância insuportável. Lázaro Ramos ergue a bandeira do "negro inteligente" como produto a ser reverenciado. Dalton Vigh é sempre o mesmo. Suzana Vieira virou uma assombração, um filme de terror. Betty Faria, José Wilker, Stênio Garcia, Marilia Pêra, Renata Sorrah, Marilia Gabriela e Nuno Leal Maya estão putrefando seus históricos talentos, em decorrência das germinais afetações de Aguinaldo Silva. Este, como se não bastasse, clicheriza a "ávida necessidade" de expor a questão gay na teledramaturgia. No contrapé, também em posicionamentos sofríveis, Alyne Moraes e Flávia Alessandra dão a volta por cima no futuro porque são jovens ainda. Idem à Débora Falabella.
A Globo, porém, usa e abusa disso tudo para desafogar novas caras. A morena Débora Nascimento é a única coisa louvável surgida, mas que cai no idealizado estereótipo da "morena gostosa". Mas ainda vai voar...
"Duas Caras" disputa com "Big Brother Brasil" o título de lixo de 2008.
Prato cheio para os nossos irmãos catadores.



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