
Mulher chega desesperada à delegacia da mulher*. Um dos filhos está descontrolado, perdeu o senso e adentrou às vias da pedofilia, ao abusar de um garoto de 5 anos. Há histórico anterior de vários e vários abusos contra menores. Ela quer se suicidar, porque não vê outra solução, visto que é responsável por ele e pode ir presa havendo algum crime reconhecido. Ele não usa drogas. Porém, assumiu-se como homossexual, tem 40 anos e canaliza sua fonte de prazer para crianças do sexo masculino.
Segundo relato dela, convidou o menino para ver um filme. Durante a sessão, abaixou as calças do mesmo e fez sexo oral. O menino ficou acuado e ameaçado de morte, caso dedurasse o ocorrido. Mas dedurou. A mãe notou diferenças no pênis e decidiu fazer exames. Junto ao relato, comprovou o abuso, negado pelo agressor.
O que fazer com essa mulher?
O que?
Que tipo de aconselhamento? Que direcionamento?
Que grau de conscientização sobre filho e sobre si mesma poderia atingir o que se espera?
Aconselhei que o filho precisa urgente de internação psiquiátrica prolongada, sob tutela da escolta jurídica e por não menos de 6 meses. É um caminho de alívio de ambos os lados.
A outra, de que ela deveria recomeçar sua vida, auto-valorizar-se, reinventar, experienciar diferente, com o deslocamento do filho para a psiquiatria.
É o divisor de águas da vida, onde a tragédia se estabelece para recriar-se em forma de arte.
Vive-se, mas nem sempre o que é vivido é superado. Porém, pode ser recriado.
Basta querer.
Ele e ela podem.
Não é o fim da linha. Pode acreditar.
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* atendimento psicológico realizado por mim.


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