Ele se foi.
50 anos de uma linha que beirou o espetacular, o surpreendente e o bizarro.
As músicas de Jackson praticamente deram início ao meu gosto musical, nos anos 80.
"Billie Jean" e "Beat It" entravam pelos ouvidos e permaneceram nas mentes de lá até hoje.
Vi Michael em 1993, em São Paulo, na turnê "Dangerous".
Foi, até hoje, um dos mais espetaculares shows que já presenciei.
Esse cara é um dos maiores exemplos de como se tornar personagem de si mesmo.
Haviam muitas evidências de problemas psicológicos em Michael. Até aí, nada sobrenatural porque em se tratando de ser humano, tudo é possível psicologicamente.
Mas, como bom compreendedor que sou das viscissitudes humanas, vejo que Michael Jackson exorcizava seus conflitos com o personagem que criou, com as manias e excentricidades, na forma de arte, dança, música, voz.
Em "Thriller" (1982), por exemplo, o monstro-humano (e daí uma metáfora com a quantidade de plásticas descabidas que fez em si próprio), o lobisomem, os mortos-vivos, o medo e o amor, ficaram evidentes na mensagem musical e videoclíptica de Jackson. Dava para entender que era uma catarse de si mesmo. Tudo isso em si e para os outros. Já era um prenúncio do que vinha. Vendeu tanto (55 milhões) que as pessoas se identificaram com aquilo que ele mesmo exorcizava catarticamente. Eu, inclusive, comprei esse álbum. Viamos Jackson protagonizar "Thriller" e nos assustávamos com aquilo. Era um medo associado ao espetáculo.
Logo depois veio "Bad", profeticamente o homem-mau, coisa que Jackson causava conflitos em si mesmo, por haver um homem ainda mal-resolvido com repressões do passado. E perguntava: "Who's bad?".
Quem é realmente mau? Essa foi a pergunta deixada por ele.
Jackson fez voz para as questões sociais, ambientalistas, sentimentais, americanas. Fez dos seus álbuns a voz de si próprio para as repressões que vinham de todos. A suposta pedofilia, indo para um lado contrário de entendimento, talvez tenha surgido em resposta a essa repressiva passagem pela Terra.
Contudo, foi um homem negro abaixo de Deus e que, mesmo suprimido pela fábula de ter moldado-se em fantasias de Peter Pan, mostrou que, por mais talento e criatividade que alguém possa ter, a morte é um desfecho incalculável, impreciso e capaz de trazer o conforto tanto merecido de almas perturbadas.
A maneira como escolheu para viver foi uma escolha sua, mas inadaptada em um mundo que joga suas fichas todas para os julgamentos. Tentou, mas foi vencido pelo coração.
Por ter sido importante e fundamental em minha vida musical (hoje influenciada milimetricamente por U2), peço a Deus que abençoe sua alma, agora diante do encontro com si próprio. Sem fantasias.
Obrigado, MJ.




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