domingo, 21 de dezembro de 2008

Cheiro de Armageddon - 3

Um dia me veio à cabeça a certeza de que estamos vivos somente porque "escapamos" de morrer.
Viver é um risco permanente, esteja em que condições estiver.
Continuar vivendo é escapar a algum percurso desviatório, somente isso.
Não que os desígnios de Deus não sejam concretos ou existencialistas. Não é isso.
Mas para fazermos valer nossas vidas é preciso que façamos algo a mais por ela.
É preciso que cada um faça sua parte, sua honrosa parte.
Vou dizer aqui o que penso a esse respeito:
  • Não sou contra que a pessoa tenha filhos. De maneira alguma, visto que isso poderá acontecer naturalmente comigo. Mas sou contra algumas formas projetadas nesse fim, por parte de alguns. É certo que homens e mulheres se unem para complementar sua auto-afirmação social, dizer ao mundo e à sociedade que têm papel determinante, e etc... Fazem um filho para ostentar um "troféu", não porque dar luz a uma vida tenha um caráter menos egoístico e mais contextual. Condeno também os que colocam filho no mundo para ocupar espaço, para consumir, para não produzir bens humanos e liberar lixo ambiental. É o que penso.
  • Necessário entender que estamos aqui para adquirir conhecimento e emanar sabedoria, ajudar a quem precisa e lutar pela evolução espiritual. Nada, além disso, tem sentido real para Deus.
  • Até hoje não entendemos a lógica do amor. O amor permanece ainda narcísico e voltado para si mesmo, projetado no outro como carências e conflitos internos e edificado como um relacionamento conjugal. Até que ponto algumas uniões são realmente verdadeiras?
  • Globalizado, o mundo é para competir, o tempo todo. Quem não souber ganhar ou perder, está fora do jogo. Viver, então, é um jogo de xadrez, ou uma luta de boxe, ou então um jogo de dominó, onde você vai codificando as peças mais ideais naquele momento.
  • Sexo, drogas e dinheiro. Poder, consumismo, individualismo. São as drogas da atualidade. Como libertar-se delas? Não temos tempo para pensar no "como". Então, aja logo.
  • O que seremos daqui pra frente? O que vamos querer e o que dispensaremos?
  • O que fazemos aqui? Somente vivemos e nada mais?
  • Rimos em banquetes e gozamos o orgasmo do sexo narcísico?

Um pouco do que penso. Somente um pouco. Bem pouco.

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